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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

À beira mar








A brisa suave é o meu alento
E as ondas do mar, o meu relento
Meu paraíso eu encontrei
Escondido à sombra de um litoral
Na maré de uma vida sem igual
Deslumbrando paisagens esplêndidas
Como um imenso mar aberto e céu azul
Acolhidos por um sonho infinito de um
Pôr do sol.



Juliana Duarte, 22 de Outubro de 2009>

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Meu querer















Nos meus sonhos te busquei
Dentro de mim te encontrei
E nada faz meu coração bater tão forte
Quanto o teu doce olhar
Sinto meus pés abandonarem o chão
Quando teus lábios tocam os meus num beijo
Perfeito e suave
Quero o teu olhar junto ao meu
Quero o teu corpo colado em mim
Quero sentir a pureza de ter você comigo
Nada me faz lembrar tanto o céu como o teu sorriso
E só o desejo de querer-te me leva ao delírio
Então envolva-me com teus perfumes
E adorne-me para sempre em tua pele
Marque a minha existência com o teu viver e o teu amar.

Juliana Duarte, 09/09/2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Utopia














Tenho um grito preso na garganta. Uma dor entalada. Não consigo chorar. Não há lágrimas em mim. Só há fogo. Chamas que fazem arder o meu coração. Meu destroçado coração. Pudera eu ser desprovida de um! Mas cá ele habita. Bem aqui, dentro do peito. Ouço-o bater. Devagar, mas ouço-o bater. Por mais que sofra, ele não desiste e insiste em lutar, em pulsar, em viver. Este é o meu coração. Meu ingênuo coração que ainda acredita no amor. Que acredita ser possível fazer deste mundo um lugar melhor. Que confia nos discursos dos políticos na esperança de que um dia eles perceberão o valor da vida, dos sonhos e de se viver em harmonia.
Um coração alimentado, aliás, movido à utopia, fantasiando um futuro diferente, mais belo, mais colorido, mais vivo, mais feliz! Até quando viveremos alheios às dores do próximo? Até quando viveremos perdidos em nós mesmos, sugados pela nossa própria solidão por sermos incapazes de assumir que precisamos do outro? Acredito num mundo onde as pessoas se respeitam. Onde somente aquele que é forte consegue admitir que é fraco. E será isto possível ou não passa de devaneios deste meu louco coração? Será que é mesmo em vão acreditar nas pessoas, no amor? Ah, o amor! O que dizer do amor? Somos feitos para amar e isto basta. A humanidade alcançará o seu ápice quando descobrir que não é a tecnologia, a ciência ou a política que nos fará melhores, mais “evoluídos”, mas sim o amor. O amor e somente o amor. A nossa capacidade de amar. Amor à vida, à natureza, às coisas simples como a brisa ou um cantar de um passarinho, que são verdadeiramente impactantes àqueles que sabem apreciá-los.

Juliana Duarte. 01 deSetembro de 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Lua e o Monstro II



Essa estória que agora vos conto não é para qualquer um. É para aqueles cujo coração já foi aquecido ferozmente pelas chamas de um amor impossível ou pelos dardos inflamados de uma paixão mal resolvida. Se você nunca passou por isto, então não perca seu tempo dando continuidade a esta leitura. Leia o horoscópo, o episódio da novela de hoje ou as fofocas do mundo artistico que vai ser bem melhor.
Se está lendo está linha agora então tenho que lhe dizer: sinto muito, você é tão tolo quanto eu. Não é possível arrancar o coração e talvez você tenha que conviver com este este tolo para sempre. Mas, vamos ao que interessa: a estória. Pensei em começar com “Era uma vez”, mas acho meio piegas e comum demais. Coisa de contos de fada, não é verdade? Então, vamos lá. A estória começa agora.
Era uma vez, em um lugar aqui pertinho, onde todo mundo conhece e já está cansado de passar por lá, por isso vou nem dizer onde fica, costumava-se ouvir gritos que rasgavam o silêncio da noite. Ninguém saberia dizer de onde e de quem eles vinham. Eram tão costumeiros que já faziam parte da rotina noturna. Ninguém sabia que ali, logo ali, pertinho, havia uma criatura assustadora. Um monstro. Sim, um monstro com tudo o que tem direito. Feio, assustador, gosmento, mal cheiroso e agressivamente descontrolado. Mataria sem pensar a qualquer um que cruzasse o seu caminho. O Monstro ficava preso todas as noites, era sedado para que não tivesse força suficiente para romper as correntes que o prendiam.
Mas certo dia, ou melhor, certa noite, a genitora da tal criatura, compadecida, resolveu deixar frouxas as amarras. Não é difícil imaginar o que aconteceu. No primeiro ímpeto de força na tentativa de fugir, as correntes cederam e facilmente o Monstro soltou-se. Ele rugia alto, batia forte contra a porta a fim de quebrá-la e quando conseguiu, correu alucinado pelas ruas até se dar conta de um brilho suave que o atraia lá no céu.
O Monstro sentiu esvair de dentro dele toda a raiva contida. Sentiu uma paz que o fez parar e questinar a própria existência e atitudes. Nunca vira algo tão belo, tão suave, tão puro. Ele ergueu as mãos na tentativa de agarrá-la, mas logo percebeu que não era possível. Sentiu a raiva possuí-lo novamente. Rugiu furioso enquanto corria em direção a algum lugar que o permitisse alcançar a Lua.
As pessoas olhavam curiosas entre as cortinas das janelas de suas casas a fim de saberem o que acontecia lá fora. O Monstro estava à solta. Ele subia em árvores, nas cumeeiras das casas, nos postes, em todo lugar que julgava deixá-lo mais próximo da Lua. Foi da montanha mais alta, na verdade a única, da cidade onde o Monstro suspirou aliviado ao estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe de sua amada. Dentro dele pulsava uma paz que emanava sei lá de onde, talvez de sua intríseca essência que era, na verdade, tranquila e amável. Sentou-se. Respirou fundo. Movimentou as mãos como quem intenta agarrar algo em vão. Apreciou o intenso luar ali, cativo, totalmente entregue, rendido. O Monstro percebeu que a cada instante a Lua fugia de sua presença. Sentiu-se feio, repugnante. Ela jamais o aceitaria desta forma, pensava. A cada segundo mais distante, uma claridade ainda maior se evidenciava no céu agora não tão escuro. O Monstro rugia desesperado até que a Lua tornou-se Sol e sufocou-lhe os gritos assombrosos . A luz do dia revelou uma criatura indescritivelmente bela. Um ser divino estava assentado ali naquela montanda, sem entender exatamente o que estava ocorrendo. Era assim a vida de Monstro: à noite, um ser horrendo e pela manhã, um anjo do céu.
Desde então, Monstro passava o dia traçando planos mirabolantes que logo, logo, sob as trevas do luar, constataria que eram falíveis. Impossível alcançar a Lua, concluiu. Não há nada que se faça que seja realmente digno de sua aceitação. Monstro queria que a Lua o notasse, percebesse o quanto ele a amava e a desejava. Mas como poderia ela, tão linda, tão pura, tão sublime, perceber a existência de uma criatura tão nojenta e desprezível? Monstro odiou-se. Se pelo menos ela o visse quando o Sol reinava, veria que por trás daquele Monstro existia um ser formidávelmente irresistível e apaixonante.
Depois de muitas tentativas vãs, Mostro percebeu que a única coisa a fazer, já que não poderia tocar a Lua, era contemplá-la, apenas. Todas as noites ele deitava-se no cume do monte e flertava com a Lua, embora esta não desse muito a mínima aos seus gestos tão singelos. Monstro adormecia no local e só era despertado no raiar do sol que levava a sua amada deixando-lhe afogado em saudades.
Daí Monstro teve uma ideia. Levou na noite seguinte uma fotografia de como ele era de verdade, uma rosa e um lindo poema feito por ele mesmo. A resposta da Lua? Nenhuma. Indiferença. Ela ficava lá em cima, só brilhando, imóvel, governando as emoções alheias, atraindo a todos com sua infidável beleza. Totalmente às margens de um amor sincero que logo ali embaixo se transbordava.
Certa noite, algo diferente e muito curioso aconteceu. Durante todo este tempo, Monstro conversava com a Lua em sua linguagem nada compreensível de grunhidos. Monstro chorou, chorou amargamente. Suas lágrimas inundaram o lugar. Em seu coração ardia em chamas um amor que nunca seria possível. Monstro não via mais sentido na vida. Entre lágrimas seu grunhido converteu-se numa linda voz que dizia: “Não vejo mais cores, somente o teu brilho. Nada tem sentido à minha volta a não ser a tua presença. Você me trás paz. Sinto-me diferente. Sou impulsionado a mudar. Se pelo menos você pudesse enxergar o que há dentro de mim, veria a si mesma enraizada em meu ser.”
A Lua brilhou diferente, parecia que aquelas palavras haviam lhe tocado, afinal. Uma luz divina tomou conta do lugar. A Lua percebeu que havia algo mais importante do que aquilo que o Monstro aparentava ser: o amor que ele sentia. Ela percebeu o quanto ele era belo e a forma sincera como Monstro demonstrou o seu amor tornou-se para ela a coisa mais importante do universo. Então, a Lua o amou sobre qualquer circuntância e o seu brilhar trouxe à tona não um monstro, mas o ser divino que só o Sol até ali contemplava. Ele foi absorvido, transportado para o interior dela e até hoje ele está lá, preso alegremente dentro do seu amor. A Lua hoje não vive só e pode saborear o gostinho delicioso que é ser de alguém.

Juliana Duarte, 27 de Agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Esconderijo




















Não me procure nos céus
Porque lá não estarei.
Não me procure em outros risos,
Nem na brisa suave que lhe toca a face
Porque certamente não ei de estar.
Não me procure nos ventos, nem nas tempestades.
Não me procure no mar.
Não me procure no canto dos pássaros
Porque aí nunca estarei .
Não estou entre as estrelas,
Não me oculto em melodias perfeitas,
Nem em palavras bem elaboradas.
Não me procure nas festas,
Nem nas batidas fortes que fazem teu corpo remexer
Porque nelas nunca mais estarei.
Não me procure em olhos alheios,
Nem em outros braços e beijos
Porque não me acharás.
Não estou escondida entre gemidos que rasgam o silêncio da noite,
Não estou nos sussuros ao pé do teu ouvido,
Não estou nas promessas de amor,
Nas meias verdades nunca ditas.
Não me procure nos livros,
Nem em feiticeiros
Porque os astros desconhecem a minha existência.
Não estou nas bebidas fortes que lhe assaltam a consciência.
Não estou no teu cigarro,
Não estou na tua insônia,
Não estou nos teus sonhos.
Não me procure em outros corpos,
Não me procure pelo mundo
Porque em vão buscarás.
Não estou em tuas lembranças,
Não estou nos teus escritos,
Nem nas tuas mudanças de humor.
Não tente me achar nas nuvens,
Nem no teu sangue.
Não queira ir à lua
Porque lá não estou.
Não estou nas profundezas,
Muito menos nas superfícies.
Não estou no ar,
Muito menos me aconchego junto ao solo.
Estou em tua alma,
Nas entranhas do teu ser,
Estou dentro de ti.
É o teu coração o meu abrigo e a minha morada.

Juliana Duarte, 20 de Agosto de 2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Lua e o Monstro















Lua, Lua
Que brilha forte lá no céu
Tão longe de mim
E tão perto
Apaixonei-me pela Lua
E encantada estou
Rendida aos seus encantos
Ela me traz paz
Faz fervilhar todos os meus sentidos
Faz-me ignorar o monstro que há em mim
E embaraça tudo aquilo que sou
Fico inspirada a mudar de rumo
Pegar outra direção
A caminho do céu estou
E não me importa se de lá cair
Não me importa se lá não conseguir chegar
Pelo menos tentei
E isso me basta
Mas que farei eu quando o sol nascer?
Onde te escondes, Lua?
Onde é a tua morado quando a estrela da manhã
Te assalta de mim?
Te roubarei dos céus para que habites pra sempre
No meu coração.


Juliana Duarte, 18 de Agosto de 2009

...















A m o r
Silêncio
Mentira
Indiferença
Dor
Tempo não volta
Perdoar é preciso
Nada do que foi dito
Se fez
E tudo que foi feito
Foi dito
Nada escondido
Tudo assumido
Erros
Verdades
Mentiras
Insegurança
Arrependimento
A m o r


Juliana, 18 Agosto de 2009

A Irônia dos Erros

















É engraçada as coisas da vida. É esquisito a forma como tudo acontece, já repararam? Não sei, fico perdida às vezes, absorta num mar de sentimentos e sensações. Como agora, que sinto queimar dentro de mim o meu coração. Tolo e imaturo coração. Já pensou como seria a vida sem ele? Um paraíso, talvez.

Nesses calores ardentes que agora sinto é quando mais vontade tenho de arrancá-lo, sabe. Jogá-lo pra bem longe. Mas, pensando bem, melhor não arriscar. Afinal, que graça teria a vida, não é mesmo? O que seria de nós sem os enganos do coração ou sem a sua estúpida vontade de se entregar? Que graça teria a vida sem as desculpas esfarrapadas, sem os erros? Sim, os erros. Quantos erros cometeram este meu louco coração! Erros aos quais não me orgulho, mas que também não tenho medo de admitir. Amei. Sim, amei e disperdicei a chance de fazer alguém feliz porque insisti em fingir em ser alguém que não sou. Talvez porque no meio de tantos “eus” eu me perdi e agora, querendo voltar, motivada a voltar, seja tarde demais. Tarde demais.

Menti ao meu amor. Não tive escrúpulos, nem piedade. Dei nós sem ponta e tudo veio à tona, como tudo o que está escondido. Afugentei para longe a quem amava e ficou tudo escuro, sem sentido, vazio. Dói. Dói mais ainda o coração de quem, sem querer, feri. Que seja a dor o sálario do meu erro porque muito inventei, mas sempre fui sincera ao amor que ainda pulsa forte em meu peito e foi este mesmo amor que me deu motivos para mudar... Mudei e continuo mudando por você, por mim, por nós.

Sabe quando você tem a pessoa certa e faz tudo errado? Joga fora feito louco a chance de fazer tudo certo? Destino? Nessas horas faz inveja aquela ridícula e tão almejada máquina do tempo.

E você, assim como eu já deu uma de besta por não ser sincero e agora deseja voltar no tempo pra fazer o negócio direito ou acha melhor que a pessoa amada lhe perdoe e lhe outra chance? Complicado...

Juliana Duarte, 18 de Agosto de 2009

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Delírios



















Mergulho em ti como num oceano
Perco-me em teus delírios de amor
A sussurrar meu nome.
Em teus olhos vejo o infinito,
Alcanço o céu ao tocar-te.
Dar-te-ei as mais belas flores
E os teus sonhos serão meus também.
Tua alma reflete o que de mais puro há em ti
E tua voz me passa a suavidade da vida.
São as tuas mãos as mais belas,
E não há nada mais fascinante como teu sorriso.
Adoro quando me morde os lábios
E quando, impotente, deixa-me vagear por ti.
Adoro quando me olhas com este teu olhar devorador,
A despir-me de uma única vez.
Ah, pudera eu o tempo parar
Para em teus braços me enlaçar
E arrancar de ti suspiros sem fim!
Ah, pudera eu viver a eternindade de um
Segundo ao lado teu
Sem em mais em nada pensar,
Sem nada mais querer
A não ser você, você...



Juliana Duarte, 03 de Agosto de 2009

A Voz do Silêncio

















Ouço uma voz
Sombria, fria
Vazia
A gritar de medo,
Desespero
Por estar tão só
Por não ter quem a acuda
E socorra
Por todos fazerem descaso.
Posso ouvir promessas sem fim,
Melhorias de que a vida
Nunca mais será assim.
Vejo escorrer por mãos de outrem
O que de fato é meu
Em devaneios de adrenalinas sem fim.
Posso sentir forte o frio
Que me esquenta a alma.
Aonde foram eles?
Já não estão mais aqui.
Foram embora, embora
A hora fosse de vir.


Juliana Duarte, Agosto de 2009

O teu alô




















Não sei porque te quero e te espero
Não sei porque fico assim sei saber
Se ligo ou não ligo
Se de fato devo matar o desejo de
Fazer ecoar dentro de mim
A tua voz
Linda voz!
Suave melodia a invadir meu corpo a dentro
Numa ânsia infinita de te possuir,
De te ter só pra mim.
Não me queres, é certo.
Teu querer não passa de um momento,
De um incenso que acaba num instante
Tal qual a fumaça que dissipa
Alheia a tudo e a todos.
Diz-me o que queres
E fugirei para longe, bem longe.
Não me iludas.
Não diga que me queres pra ti
Não me jures amor eterno
Porque, se de certo o fosse,
Assim não me tratarias
E pelo menos uma vez
Ligaria para dizer:
Bom dia!



Juliana Duarte, Agosto de 2009

Senhor do Tempo




















Para tempo, para
Se não paras desfaleço
E mergulho numa solidão sem fim.
Oh, tempo que a todos domina e aprisiona
Escravos do tempo, por tempo e sem tempo
De viver,
De sorrir,
De crescer
De ver nascer
A vida linda, bela, bonita
Aflita e rica como o pôr do sol
Cheia de muitos sem fins.
Ah, tempo, tempo...
Que medo tenho de ti
Cruel e inimigo de todos
Que assalta a vida num piscar de olhos
Fiel conselheiro dos descasados, ex-amados.
Não cura ferida, por certo.
Não ameniza a dor de quem sofre.
São boatos, boatos...
Especulações do desconhecido
Que cedo ou tarde,
Tempo em tempo
Virá a descortinar o segredo
De vivermos no tempo sem tempo
Na vida sem a alegria de um só tempo.


Juliana Duarte, 07 de Janeiro de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Verdadeira Felicidade

Ser feliz é acordar bem cedo e ver raiar o sol
Trazendo algo novo e a chance de fazer tudo diferente.

Ser feliz é sentir bater forte o coração de quem se ama
E sentir pulsar a vida, como a coisa mais preciosa do mundo.

É poder apreciar o silencioso olhar que nos diz o quanto somos
Importantes sem que palavra alguma seja dita.

Ser feliz é sentir a liberdade na brisa que nos toca a face
E no mar que nos acaricia os pés.

Ser feliz é abraçar forte um amigo,
Ter um namoro escondido
E fazer tudo o que nos dá prazer.

Ser feliz é se sentir aconchegado nos braços de gente
Que nos deu a vida e faz de tudo para nos sentirmos
Em casa.

Juliana Duarte

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Brasil


Chamaram-me estulto porque não sei bailar
Meu gingado é diferente, mais atraente
Porém, falaram-me que não sei dançar.
Chamaram-me careta porque não sei vestir.
Visto-me da forma como bem me agrada:
Calças, brincos ou não;
Bermudas, quem sabe...
Por que não?
Não uso casacos de pele.
Pra quê?
Aqui é tão quente, não preciso me aquecer.
Uso chinelos, sou simples, por certo.
Ouço de tudo um pouco:
Beethoven, Madona, Presley, Caetano e até mestre Zeca.
Porém, disseram-me que eclético não posso ser
Pois ecleticidade não existe
Que sou, nada mais, nada menos, alguém sem opinião
Sem verdade
Sem indentidade.
Indentidade tenho.
Sou de tudo e de todos.
Focar-me em algo só empobrece-me.
Multifacetas tenho.
Muitas culturas
É minha maior riqueza.
Não sou branco,
Nem sou preto.
Sou Brasil

Juliana Duarte

Soneto do Amor

O que é isto que faz meu coração queimar
Que me tira do sério e me faz em ti todo o tempo pensar
Que me fechar os olhos e vê teu lindo sorriso a sorrir

Que me faz clamar por deliciosos beijos sem fim?
O que é isto que me faz a alma tremer
Sempre que penso em você?
Que me deixa sem respirar
Que insiste em meu fôlego roubar?

Que é isto que fizeste comigo?
Roubastes o meu coração como a um inimigo
Assaltastes de mim o desejo de ver o amor em outros olhos
E agora quero só você.

Que é isto que invade meu ser
Que em tudo que vejo me faz lembrar você
Que me tira o sossego e o sono me deixando em total insanidade?
Ah, saudade, saudade, saudade...

Juliana Duarte, 19/12/2008

Soneto da Vida

Não preciso de muitas coisas na vida
Só um céu sobre mim
Um chão para pisar
E um amor sincero sem fim

Não preciso ter tudo na vida
Só um lar pra morar
O som dos pássaros a cantar
E uma linda dama pra amar

Não preciso de muito dinheiro
Só um ombro amigo
Um namoro escondido
E um sorrir sem vê pra quê o motivo

Não quero ocupar grandes cargos
Só um pequeno espaço vago
Uma pequena mesa e cadeira
E um papel em branco como num mundo inacabado.

Juliana Duarte, 19/12/2009

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O menino que queria ser negro

A noite fria ainda reinava sombria aquela pequena aldeia quando um choro agudo, feito agouro dos que não vivem, rompeu o rotineiro silêncio e ecoou mata adentro, perpassando cabanas, almas e espíritos dos que lá habitavam.

Ninguém, por aproximadamente uns cinco minutos, teve a coragem de abrir mão da segurança do seu lar para verificar o que ocorria. Será que os deuses haviam decidido castigá-los? Seria o final dos tempos? Afinal, que grunhidos eram aqueles que faziam saltitar o coração de todos, de modo a deixá-los de cabelo em pé?

Vendo que nada de extraordinário acontecia, Esglinof Jafaéh resolveu sair de sua cabana, mesmo sob as especulações horríveis de sua esposa e filhos do que poderia lhe acontecer, e procurar a origem daqueles sons estarrecedores.

Jafaéh penetrou mata a dentro, seguindo o som. Ba-ra-ra-tim-bum. Ba-ra-ra-tim-bum. Ba-ra-ra-tim-bum. Quanto mais entrava na floresta, mais forte ficava o som e misturado a ele, o grunhindo agudo incessante. O bater de seu coração estava cada vez mais forte, de modo que o confundia com o som ouvido.

Jafaéh percebeu uma claridade forte e estranha vinda do interior da mata. Parou de correr. Ele ofegava cansado. Já não sabia mais distinguir o batuque forte com as batidas do seu coração. Aproximou-se vagarosamente, escondendo-se entre as folhas da árvores. O agouro fino e pertubador agora lhe parecia familiar. Deu mais alguns passos e viu, agachado entre os arbustos, uma pequena cratera que ainda conservava algumas chamas e faíscas. A cratera alongava-se numa espécie de caminho, como se algo estivesse sido arrastado com dificuldade. Jafaéh olhou para os lados. Não havia ninguém, nenhum sinal de perigo, embora a própria circunstância o fosse. Em passos vacilantes ele caminhou rumo à cratera. Ba-ra-ra-tim-bum. Ba-ra-ra-tim-bum. Ba-ra-ra-tim-bum... A forte luz o fazia apertar os olhos escuros na vã tentativa de enchergar melhor. Avistou algo embrulhado. Algo pequeno, de aparente indefesa. Jafaéh, com uma vara, descobriu o embrulho revelando o que ele já suspeitava ser. Uma criança de pele mui branca chorava desesperadamente. Um bebê de aproximadamente seis meses. Jafaéh assustou-se de início, mas logo tratou de colocá-la nos braços e, ao fazê-lo, imediatamente o batuque cessou e a esfera fechou, tornando-se uma coisa só. “É coisa dos deuses”, concluiu . Por tanto, tratou de pegar a esfera, mas esta estava muito quente e lhe deixou uma queimadura quando a tocou. Com o lençol que envolvia o bebê ele cobriu a esfera e a pôs nos braços.

Jafaéh correu em direção à sua cabana. Vez por outra ele parava a fim de contemplar a criança que agora dormia um profundo sono. Nem parecia que há poucos instantes estava chorando ensurdecedoramente. Nunca vira algo parecido! “Essa criança será filha dos deuses? Caiu do céu?” – pensava intrigado.

Quando chegou à aldeia, todo o seu povo estava à espreita, fora de suas cabanas, aguardando seu chefe chegar para saciar a curiosidade de todos. Sua esposa o olhava estarrecida, parecia gritar sem que som algum saisse de sua boca. Seus filhos correram em sua direção para verificarem o que seu pai segurava. As pessoas ao redor aproximavam-se cautelosas e, como o sol que aos poucos se impôem à escuridão, Jafaéh ergueu o menino no ar de modo que todos puderam vê-lo. Palavra alguma fora mencionada e nem era preciso porque a expressão de seus rotos dizia tudo.

A brancura da pele da criança contrastava fortemente com a pele negra daquele povo. Ainda erguido no ar, o bebê abriu os olhos e estes refletiam o céu como um amanhecer. O povo assustou-se àquele olhar. Muitos soltaram um suspiro de terror, outros correram apressados às suas cabanas enquanto outros apenas levaram a mão à boca por simplesmente não terem coragem de fazer absolutamente nada. Nunca tinham visto nada igual!

“O esquisito”, “o enviado”, “o filho dos deuses”, “demônio” eram alguns dos muitos nomes dados ao garoto e estes refletiam as divergentes especulações sobre ele. Para uns, o chefe da aldeia fizara certo em acolher aquela criança e cuidar dela como se fosse um filho porque esta era fruto do divino. Outros, no entanto, acreditavam ser aquele bebê uma maldição que deveria ser eliminada imediatamente antes que trouxesse desgraça ao povo. Divergentes ou não, o fato é que todos o olhavam com desprezo e indiferença por não ser igual a eles. E de fato ele era. A comunidade de Jafaéh era negra enquanto a criança, esta era de uma brancura formidável; tinha os cabelos mui loiros e os alhos azuis.

O menino cresceu no lar de Jafaéh e foi tratado como um filho por ele. Somente por ele. Isso por acreditar que o menino era um presente dos céus, um aviso dos deuses. Jafaéh deu-lhe o direito de primogênitura, onde a benção maior e a consequente suscessão fora retirada de seu filho unigênito e dada à “criatura branca” ou “ ladrão de benção” como era chamado por Hafta, esposa de Jafaéh.

O menino teve os mimos de seu pai, Jafaéh, mas este nunca lhe contara a misteriosa forma que fora encontrado e proibira todo o seu povo de mencionar algo a respeito, sendo a morte a pena pela infração de tal ordem. Por mais acolhedor e reverente que fosse o pai da criança branca, este ainda assim sentia-se sozinho, perdido no meio de muitos. Era nítida a diferença de cor entre ele e os outros. O menino se sentia desprezado, completamente às margens daquela tribo. As pessoas o olhavam com repugnância e quando o olhavam! Pois muito desviavam dele o olhar. O garoto sentia-se portador de uma doença maléfica, contagiosa; um tipo de praga a qual ele não pediu pra ter. Não queria ser tão diferente dos outros. Queria ser igual a todo mundo.

Foi com esse anseio que o Menino pintou-se de preto dos pés à cabeça. Ridículo, um insulto - era o que as pessoas falavam ao cruzar com o “Novo Negrinho de Olhos Azuís”. Ele corria até o rio afim de ver seu reflexo na água. Um garoto triste e inconformado consigo mesmo era o que sempre contemplava. “Por que sou desse jeito?” – pensava repugnando-se. “Queria poder escolher, assim pediria pra ser como eles”, concluia. E ali, à beira-rio, derramava suas lágrimas e questionava os deuses.

Jafaéh, por muitas vezes flagrou o Menino raspando a pele com gravetos ou lascas de pedras na tentativa de “arrancar” o branco de sua pele. Seus consolos e argumentos de que ele era especial não satisfaziam ao Menino. Ele queria, pelo menos uma vez na vida, se sentir bem vindo, se sentir em casa. Mas as pessoas insistiam em fugir dele como se fugissem de um leproso ou a olhá-lo como se olhassem um monstro perigoso que os atacaria a qualquer momento. Como se sua beleza divinamente atraente nada mais era que uma estratégia para lhes imobilizar e ferir sem que pudessem se defender.

Sangue, sangue e sague era o que sua pele, em vão cortada, revelava. Logo sarariam as feridas e trariam de volta a sua cor. A cada golpe, a cada dor que lhe atravessava a’lma ele foi percebendo que jamais conseguiria macular sua essência, que jamais alteraria o seu ser. Pecebeu que não era diferente assim, porque por baixo da pele todos eram iguais, sangravam. Não era mais um monstro, um desconhecido de si mesmo. Não importasse o que pensassem ou falassem dele, Moriá – nome que lhe fora dado – encontrou uma paz inenarrável, uma felicidade plena que independia dos conceitos de outros.

Juliana Duarte, 29 de Março de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quando o Sol se Vai


Vejo o tempo passar e meu mundo cada vez mais submergido nas mesmas questões de sempre. Na verdade, não vejo sentido em nada disto. Não importa o que se faça, tudo é vão, irreal. Ilusões de uma inatingível felicidade projetada em espectros sem sombra.

Está escuro aqui. Não tenho companhia para esta noite. Meus olhos perpassam rápidos as antigas fotos. Posso ver o sorriso dos velhos amigos que se foram. Nada restou. Indiferença é o que hoje excede às pessoas. Não há lágrima que subsista a crueldade desse mundo superficial. Não há ombro que resista ao tempo e nem consolo que demonstre genuíno afeto. Ah, afeto! Ando nas ruas e ao observar as pessoas percebo o quão desprovidas estão deste tal “afeto”. Escravas do tempo pra manter a vida que nunca viverão. Bitoladas em possuir a felicidade que não se compra.

Quanto a mim, resta-me apreciar o nascer do sol. Como é lindo o nascer do sol! Expressa tudo o que sou. Vejo a escuridão daquilo que era e não será mais, despedindo-se para dar entrada a algo completamente novo. Algo a ser descoberto se anuncia. O sol traz a esperança de um novo dia, a chance de fazer o que nunca fora feito. A chance de ser o na de verdade sou.

Cromas da Vida


A melodia que me aflora a’lma


Perpassa-me as entranhas


Estranhas sensaçoes que não voltam mais


Num emaranhado que de abrupto me assome


À mente obscura, em lembranças que ficaram


Inseridas no peito de pessoas que já se foram


E que nunca mais voltaram e cá dentro de mim


Largaram essa imensa dor de está só num mundo


De muitas gentes que olham sem nada ver


E maculam a essência do que sou


E então entendo que tudo é vão e sem sentido


E que o céu é mais distante do que parece ser


Ainda mais o coração dos que ficam


Impenetráveis, submergidos num mundo sem cores.


Vejo cinzas mesclarem-se num incessante laranja avermelhado.


Fome e sede insaciável é o que tenho, mas não sei ao certo de quê


Não sei pra quê, só sei que a vida não pode ser de todo, assim


Tão monocromática.




Juliana Duarte

Lágrimas


Não chores.
Disseram-me.
Não fiques assim
Tão triste
Cabisbaixo.
Há de dar tudo certo.
Sorria.
Sorrir? Pensei.
Por quê?
Se na dor venço
Meus monstros
Obscuros,
Ocultos na imensidão
Do que sou?
Se são as lágrimas e
Não os risos
A expressão de minha
Fortaleza?
Por certo choro.
Esperneio.
Não por medo.
Grito alto dentro de mim
Num som surdo nunca
Ouvido
Num silencio provocante,
Instigador de deleites
Raros,
Falsos,
Escassos
Que confundem
Os que de fora olham
Com penosos olhos
A achar que sofro.
Mas não sofro,
E sim choro.
E não choro por que
Triste,
Cansado ou
Ferido estou
Mas por que
Num mundo de
Muitas caras
Fui genuíno
Ao revelar de
Forma simplista
A linguagem de uma
Alma bela e pura
Escondida por trás
De muitos risos.


Juliana Duarte, 20 de Novembro de 2008

Palavras



Monossílabos átonos,
Tônicos,
Não sei...
Palavras não ditas
Expressadas
Fingidas
Engasgadas
Arrancadas de uma só vez.
Meu silencio fala.
Podes me ouvir?
Ouça-o.
Ele grita alto.
Altoooo.
Podes me ouvir?
Dissílabos
Trissílabos
Hiatos, talvez.
O que falas
Não podes entender.
Por quê?
Porque não falas com a alma
E só a cara vê.
Se de profundo mergulhastes
Veria, ouviria, sentiria
O meu nascer,
O meu ser.


Juliana Duate, 30 de Novembro de 2008

Teu Olhar








Na escuridão da noite vejo o teu olhar
Que me perfura a alma e que me leva a sonhar
Com um beijo teu,
Com um toque teu,
Com sussurro teu
A me falar coisas sem sentido
Arrisco
A te despir com meu olhar
A mão que enlaça e aperta
Que desliza e aconchega
Que te traz pra bem perto, assim.
Diz-me, amor, de onde vem este brilho
Em teu olhar que tanto me encanta?
De onde vem essa beleza incontida
Que tanto me aprisiona e paralisa
E obrigada fico a te olhar
A contemplar?
Se for certo o que vejo
Num mundo novo me deleito
È em teu olhar que me perco e viajo
Em um universo desconhecido.




Juliana Duarte, 10 de Dezembro de 2008

Início do Fim








Dentro de mim
Ecoa surda a luz
Escura que ofusca
O brilho que emana
Da escuridão sombria
Fria
Solitária
Vazia
A pensar sobre a morte
A vida
Que acaba assim
Num instante
Como fumaça
Que se dissipa
Como fogo que se apaga
Como onda que marca
Que vai e que vem
Como termina o inicio
Do fim
O começo de tudo
O que sou
O sentido cruel
Insensível
De quem fez bradar
Gritos e lágrimas
A arrancar
A pesar e fazer o
Coração farfalhar
Derreter
Numa dor de perder
Alguém que já não
Existe e deixou
Cá dentro de mim
A marca fiel
Penetrada na alma
O sorriso singelo
Amarelo de quem
Soube viver
E aproveitar a
Cada instante até
O ultimo suspiro.


Juliana Duarte, 03/11/2008

Uma homenagem à Camila Borges, a "Brankelinha" que conquistou meu coração e deixou nele imensa saudade.

Um Dia Sem Inspiração



Lápis, papel, borracha,
Mente vazia, rabiscos sem fim.
Palavras que fogem,
Frases que escorregam mente a fora.
Gritos mudos de crianças vazias.
Madrugada suspeita de um crime não cometido.
Som de um coração acelerado de um estômago
Vazio a correr
Gemidos de prazer, tiros, pancadas,
Fogo, fumaça, mendigo, sangue, sirene,
Bastões, buzinas, impaciência.
Nike no pé, dinheiro no bolso, duas décadas.
De existência
Morte, diversão, alucinações.
Polícia, testemunhas, lágrimas, a vítima,
Impunidade,
Papel em branco.


Juliana Duarte, 11/06/2008

Cresce em meu coração um assombroso
Desespero.
Não há ninguém que me estenda a mão,
Não há ninguém que me entenda.
O que sinto não há palavras que possa
Expressar.
Olho para os lados,
Quem poderei contar?
Estou só, perdida num mundo
Desconhecido,
Perdida no mundo que sou.
Sem direção,
Sem saber o que fazer.
Pronta pra lutar e desistir há qualquer
Instante.
De súbito me vem esperança de um
Sol que nascerá
Mas a escuridão da madrugada é o
Que tenho de real,
Que me encobre e leva para longe a
Ancora da minha alma
Deixando-me incrédula do dia que
Em breve nascerá.

Juliana Duarte, 12/06/2008

Vazio


Roubaram!
Roubaram!
Roubaram meu coração!
Já não posso mais encontrá-lo.
Onde estás?
Onde te escondes?
Por que fugistes sorrateiramente de
Dentro de mim
E te abrigaste em mãos alheias
Como se não fosse mais meu
E sim de outrem?
Ah, estulto coração, por que não aprendes?
Já não sabes tu que cedo ou tarde
Voltarás a mim quebrantado
E ferido?
Por que te aventuras numa empreitada
Tão perigosa e sagaz que é amar?
Que é ser de um só alguém?

Juliana Duarte, 22/09/2008

Nos Bastidores

Povos Vazios
Gentes frias
Sem sentido de vida
A sonhar sonhos vagos
Rasos:
Casa grande
Sucesso sem fim
Fama
Carro importado
Ouro no corpo
Mordaça no pescoço
A prender
Fazendo doer
A alma gemer
Sangrar
A torturar
As mentes
A explorar
Corpos
Arrancando
A vida
O sentido
Esquadrinhando a alegria
Fria
Escura
Forjada pelo
Monstro sistema
Que engana
Ilude e fascina
Fere
Escraviza
Emudece
A voz forte de um povo
Sofrido
Vivido
Amargurado
Poderoso para mudar,
Sem saber,
O destino
A rota de quem domina
E deleita
E ajeita o jeito certo
De forma errada
Para anular
O verdadeiro
Sentindo de viver
Em sociedade


Juliana Duarte, 22/10/2008

A Visão de Quem Passa




Incrível o modo como me sentia quando passava por aquelas ruas e avenidas esburacadas. Totalmente desconfortável, a sacolejar de um lado para o outro. O mau cheiro vindo da lama acumulada nas esquinas muito me enojava. Tinha que atravessar, em vão, com muita cautela pra não me sujar.

Meninos vestidos com calções sujos e rasgados a correrem atrás de uma bola murcha, tão suja quanto eles. Arriscavam-se entre os carros. A diversão era notória em seus sorrisos amarelados como a fome que fazia suas barrigas roncarem insistentemente. Tinha que buscar muita paciência dentro de mim, porque a vontade era de passar por cima de todos e sair dali o mais rápido possível!

Logo, logo entraria no gozo de contemplar grandes e lindas casas que nem de longe se comparavam àqueles casebres desprezíveis e ridículos. As ruas muito limpas, bem arejadas.
Sempre parava com muito gosto quando um carro importado resolvia sair de uma mansão como o sol que nasce com toda sua glória ao Leste. Ficava lá, parado, apreciando a coisa bela, esforçando-me por enxergar quem estaria por detrás daqueles tão escuros vidros. Inclinava-me um pouco para frente para ver se conseguia visualizar alguém dentro da casa. Tentativa esta sempre frustrada.

Raramente via alguém nessas planas ruas e quando via, nunca correspondia ao meu alegre businar. Não ficava chateado no início, mas depois comecei a observar que os moradores estavam sempre de cara amarrada, às pressas, olhando para seus relógios de ouro 22 quilates. Raramente sorriam e quando o faziam era um sorriso superficial, como se estivessem fazendo a coisa mais difícil do mundo.

Foi inevitável a comparação. Como pode pessoas em situações tão precárias exibirem seus sorrisos e outras tão ricas serem tão carrancudas e infelizes? Refleti durante dias sobre isto enquanto fazia minha rota diária que me permitia ver os dois lados da moeda.

Agora aqueles meninos raquíticos, que corriam à minha frente jogando bola e outros a darem tchauzinhos aos meus cansados passageiros, já não me incomodavam mais. Pelo contrário, sentia-me à vontade, feliz. Agora eu tinha um olhar diferente, uma nova visão que me fazia entender que o pesar que outrora não sentia ao correr pelas “ruas-de-ouro” era a prova de que a vida com muitas riquezas poderia ser nada mais do que uma linda prisão e que o que realmente valia a pena era as coisas simples, ou seja, a própria vida.

Juliana Duarte, Conto.

O Que Sou



O motivo por que sou eu não sei
E por não saber é me esforço
Por entender os mistérios do meu ser.
Porque ora quero e ora nada quero fazer;
Ora decido, me posiciono;
Ora oscilo e me escondo.
Ora vou.
Ora não vou.
E por não ir é que sinto doer cá dentro
Do peito a estática dinâmica da minha vida.
Que vai e não vai,
Que desce e que sobe,
E às vezes mais desce.
E por tanto descer é que entendo que nada sou
E o que sou não é o que quero ser.
E por não querer ser o que sou
É que repudio certos valores
Que só desvalorizam e confundem
Tanto confudem que ferem
E por tanto ferir é que sufoco
O desconhecido prazer de ser quem
Na verdade sou.

Juliana Duarte, feita em 08 de Agosto de 2008

Seja Minha



Seja minha de corpo e alma,

Seja minha.

Seja minha no teu chorar e sorrir,

No teu cantar e dançar,

No teu sonhar e realizar,

Seja minha.

Seja minha com todas as forças do teu ser,

Na tua fraqueza e dor,

No teu desistir e insistir,

Nos teus tormentos de amor.

Seja minha mesmo quando não for,

Quando distante estiver e não

Quiser mais o meu amor,

Seja minha.

Seja minha porque ninguém te deseja tanto quanto eu.


Juliana Duarte, feita em 15 de Setembro de 2008

Coração Corrupto


Pra que serve o coração

Senão pra nos fazer sofrer


E enganar?


Ah, coração, pra quê te quero?


Se pudesse arrancar-te-ia do peito


E lançar-te-ia pra bem longe de mim


Porque só assim estaria livre dos teus


Enganos e de tuas corrupções


E só assim viveria em paz


Na ausência de qualquer sentimento


Seja dor ou alegria


Seja guerra ou seja paz


Tanto faz...


Portanto que eu estivesse protegida


Do mais perigoso entre eles


Que é o amor.


Juliana Duarte, feita em 11 de Junho de 2008

Amanda


És tu a mais bela entre as mulheres
A mais fogosa
Com quem desejo ardentemente estar.
Vem pra mim, baby
Deixa eu te fazer feliz.
Vem!
Deixa eu te mostrar o que é amar.
Vem!
Deixa eu te mostrar como é lindo
O pôr-do-sol.
Vem e aconchega-te entre meus braços
Porque quero sentir o teu respirar
Quero sentir dentro de ti a vida
Quero sentir teu coração bater
Quero viver ao teu lado
As mais doces e intensas experiências
E contemplar contigo as coisas simples
Pra que o nosso amar seja uma eterna
Poesia.

Ana Valeska Maia


Com seu doce olhar me conquistou
Olhar que vê além das cores,
Que não enxerga difereças entre este ou aquele
Olhar que respeita e nunca impõe
Olhar que busca corações humildes
E que sonha relacionar-se rica e afetuosamente
Com todos.
Olhar que descobre caminhos e
Desvenda mistérios,
Que não tem medo de sonhar ou errar,
Que não se deixa levar pela dor,
Sempre à espera do amanhecer
Que traz com ele a esperança de
Um amanhã mais vivo e feliz.
Olhar que penetra a alma daqueles
Que constrangidos ficam com seu
Jeito meigo e amoroso de a todos tratar.
Descobrindo novos mundos a cada
Palavra atenciosamente ouvida,
Destilando sabedoria, charme e elegância
Em tudo que faz
Como quem não perdeu a fé no mundo
E nas pessoas
Como quem ainda acredita que vale a pena
Viver para transformar vidas e destinos
Através de pequenos gestos feitos e
Simples palavras ditas.


Em homenagem a um verdadeiro anjinho sob pele humana: à Ana Valeska Maia. É com imensa gratidão, apreciação e sinceridade que lhe dedico esta poesia tão singela e imatura quanto quem a fez.
Obrigada por me ouvir e aconselhar. É de coração que lhe desejo felicidades e êxito em tudo que intentar empreender em sua vida.


Juliana Duarte

Um Mundo Desconhecido


Difícil explicar o inexplicável

Impossível expressar o inenarrável

Como traduzir o que oculto está?

Como revelar as profundezas do que sou,

Do que penso e como penso?

Palavras me faltam...

Papel vazio... Vazio...

Vazio...

Meras palavras não alcançam

Esta surpreendente inspiração.

Inspiração que vem de cores,

De danças,

De músicas,

De versos lidos,

De artes vistas e apreciadas.

Tudo isso como que de um só ímpeto

Transborda-me a alma

Fazendo-me refletir.

Penso...

Vagueio pelo desconhecido

E vagueando

Descubro e traduzo

Um novo e surpreendente mundo.

Juliana Duarte

A Verdadeira Paixão


Ah, coisa boa é estar apaixonada!
Apaixonada pelo sol que nasce
Trazendo-me a chance de fazer tudo diferente.
Apaixonada pela brisa suave
Que beija meu rosto
Dando-me sensação de liberdade.
Apaixonada pelo canto dos pássaros
Cuja melodia ecoa dentro do meu ser
Deixando-me feliz.
Ah, coisa boa é respirar fundo
E sentir pulsar cá dentro de mim
A vida!
Os sonhos!
Ah, como é bom saber que viva estou!
Que tenho a chance de modelar o mundo que sou
Como criança que brinca.
Ah, como é bom sentir meu coração
Bater mais forte quando te vejo
Quando sonho com você ao meu lado
Quando projeto você em meus sonhos
Quando cruzo minha história à sua
E desejo te fazer feliz
Sim, amor meu, feliz!
Feliz como ninguém!
Ah, coisa boa é estar apaixonada!
E o motivo de assim estar
É você...
E ninguém mais será.

Juliana Duarte