
A melodia que me aflora a’lma
Perpassa-me as entranhas
Estranhas sensaçoes que não voltam mais
Num emaranhado que de abrupto me assome
À mente obscura, em lembranças que ficaram
Inseridas no peito de pessoas que já se foram
E que nunca mais voltaram e cá dentro de mim
Largaram essa imensa dor de está só num mundo
De muitas gentes que olham sem nada ver
E maculam a essência do que sou
E então entendo que tudo é vão e sem sentido
E que o céu é mais distante do que parece ser
Ainda mais o coração dos que ficam
Impenetráveis, submergidos num mundo sem cores.
Vejo cinzas mesclarem-se num incessante laranja avermelhado.
Fome e sede insaciável é o que tenho, mas não sei ao certo de quê
Não sei pra quê, só sei que a vida não pode ser de todo, assim
Tão monocromática.
Juliana Duarte

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