
Tenho um grito preso na garganta. Uma dor entalada. Não consigo chorar. Não há lágrimas em mim. Só há fogo. Chamas que fazem arder o meu coração. Meu destroçado coração. Pudera eu ser desprovida de um! Mas cá ele habita. Bem aqui, dentro do peito. Ouço-o bater. Devagar, mas ouço-o bater. Por mais que sofra, ele não desiste e insiste em lutar, em pulsar, em viver. Este é o meu coração. Meu ingênuo coração que ainda acredita no amor. Que acredita ser possível fazer deste mundo um lugar melhor. Que confia nos discursos dos políticos na esperança de que um dia eles perceberão o valor da vida, dos sonhos e de se viver em harmonia.
Um coração alimentado, aliás, movido à utopia, fantasiando um futuro diferente, mais belo, mais colorido, mais vivo, mais feliz! Até quando viveremos alheios às dores do próximo? Até quando viveremos perdidos em nós mesmos, sugados pela nossa própria solidão por sermos incapazes de assumir que precisamos do outro? Acredito num mundo onde as pessoas se respeitam. Onde somente aquele que é forte consegue admitir que é fraco. E será isto possível ou não passa de devaneios deste meu louco coração? Será que é mesmo em vão acreditar nas pessoas, no amor? Ah, o amor! O que dizer do amor? Somos feitos para amar e isto basta. A humanidade alcançará o seu ápice quando descobrir que não é a tecnologia, a ciência ou a política que nos fará melhores, mais “evoluídos”, mas sim o amor. O amor e somente o amor. A nossa capacidade de amar. Amor à vida, à natureza, às coisas simples como a brisa ou um cantar de um passarinho, que são verdadeiramente impactantes àqueles que sabem apreciá-los.
Juliana Duarte. 01 deSetembro de 2009

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