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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A arte do ser




















Inimiga de mim
Meu maior medo sou eu
São meus desejos e emoções os meus monstros mais perigosos
Escondidos em defeitos que relutam em me dominar
Amantes do fim, do descontrole e da superficialidade
Conspiram contra minha força e querer
Querem dominar meus sentidos,
Querem Manipular minha percepção
Minha visão de mundo hora é distorcida
Não vejo cores neste mundo de cão
Meus limites são vários
Há sangue frio correndo em veias entupidas
Meus pulmões já não funciona mais
Meu coração ameaça parar de bater
Inspiração de onde vem?
Do sorriso de uma criança
É possível viver sem ser feliz
Não é possível ser feliz sem viver
E viver quando digo sem resquícios da ilusória perfeição
Não há como ser homem e viver sem errar
Não há como errar sem se machucar
Mas são as dores nossas a beleza da vida
E o nosso cair o segredo de todo o mar
Ele vem e ele vai
Ele desce e ele sobe
Ele agride e ele acaricia
Ele afoga e dar a vida
Ele é tudo e não é nada
Porque ele sou eu e você
Mas pra quê saber o segredo da vida
Se o segredo da vida é viver?
É cantar, chorar, amar, sofrer, pular, sorrir, gritar, odiar, desejar
É sentir todos os sentidos aguçados reagindo aos estímulos do mundo
Não importa a reação, a razão...
Tudo não passa de frágeis e incabíveis conceitos humanos
Na imensidão do ser que tudo faz e nada entende
Por isso que eu digo e repito:
Sou inimiga de mim
O meu monstro sou eu
Não aprendi a perdoar os erros tolos que cometi
Agora, só sei que cresci embora retorne a fazer
A burrice do homem está em si
Por nunca tentar se conhecer
São em nossas limitações
Onde está abrigado o sentido do amor
Porque o choro na verdade não é dor
É a prova concreta do nosso vigor
É a vida pulsando em nós
A verdade que nos faz existir
Se é pra chorar ou sorrir
Sentir é a melhor decisão
Porque a fraqueza faz do forte
Uma eterna solidão na incapacidade
De não saber perdir perdão.
Eu sou forte porque digo: sou fraca.
Eu sou sincera porque digo: menti.
Eu sou certa porque digo: errei.
Não sou forte porque escondo uma dor
Porque as lágrimas inundam meu chão
Não preciso esconder de ninguém
Que em meu peito queima uma grande paixão
Um amor por ser o que sou
Por desconhecer as minhas direções
O futuro me é sempre incerto
Como eu o sou.
Hoje eu posso querer você
Amanhã posso até te odiar
Mas nesse destino de tanto querer
Meus impasses passou a sonhar
Posso até fazer o que quer
Posso até me submeter
Mas esse meu coração indomável
É a prova de que nunca vão me entender
É vã a sua condenação
Pois em mim sempre irás encontrar
Manchas de falhas multicolor
Numa aquarela de obras expostas
Ao mundo de artes que sou.

Juliana Duarte, 23 de Fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Inexistência



















Como posso esquecer o que em mim está enraizado
Entranhado em medulas, músculos, fibras, ossos, carne e pele?
Nesse lento processo do tempo
Que aos poucos te remove de mim
Vai doendo
Doendo
É como se arrancassem um pedaço de mim
Nesse meu desespero de te querer e te amar
É que, sem ter-te, me agarro à dor de tua ausência
Porque o vazio que deixaste é também um pedaço teu
Que em mim ficou imerso num vazio de noites sombrias
Nas insônias de pesadelos suspensos na madrugada
Que agora cuidam em te levar para o passado
Meu passado que tudo passou e o que era não é mais
Deixe-me
Largue-me
Esqueça a minha errônea existência que só desejou te amar eternamente
Amar-te-ia para sempre
Muito além de qualquer barreira
Porque é de mim o te querer
Como agora é de mim o te esquecer
Nesta minha inesgotável capacidade de amar.

Juliana Duarte, 19 de Fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Dois em Um

Este coração doente
Que só deseja te querer
Nunca mais se fará presente
Nunca mais vai te apetecer
Tudo em mim mudou
Desde quando te conheci
Feito príncipe num cavalo branco
Pensei que realmente fosse
O amor que nunca vivi
Entre romances e beijos
Entre delírios de amor
Entreguei o tudo que sou
Pra quem nunca de fato me quis
São facetas do infinito
O término que está por vir
Porque agora sou Um
E o Um que há em mim
Será Dois com Um até o fim
Porque é de mim o ter alguém
Pois o amor é a cor do meu mundo
É o que dá vida ao meu pobre ser
Sem ele, o que de mim há de ser
Se porventura não existir
Um delicioso amor sem fim
Pra viver doçuras de encanto
Que gere além de risos, o pranto?
Porque é melhor a dor do amor
Que o vazio de não ter ninguém.

Juliana Duarte, 14 de Fevereiro de 2010

Coisas e Gentes

Existem coisas e coisas
Existem gentes e gentes
Existem coisas que são gentes
E gentes que são coisas
Existem sentimentos alheios
Sorrisos benditos, muitas vezes (mal)ditos
Sussurros nunca ouvidos
Choros sem consolos
Murmúrios vãos
Horas sombrias
Noites em claro
Vida mal vivida
Procuro entender meu ser além de você
Busco alcançar o gozo e alegria de viver longe de ti
Nessas primeiras horas do dia
Em que muitos brindam a festa da carne
É que aqui, neste quarto solitário, me contorço ao pensar em ti
Erros sem fim
Momentos abandonados ao relento de lembranças fúteis
E em meu sangue a certeza que ter o teu nome eternamente gravado ao meu
Mas enfim tudo se foi
E o tudo inacabável acabou e agora é passado
Se eu errei
Tu também erraste
Pois de mim nunca verdadeiramente gostaste
Quando por completo me entreguei
E meu coração aberto ficou
Vulnerável
Sensível
Apaixonado, por fim
Enquanto para mim tudo em ti era mistério
Profundezas ocultas
Achei que era reserva de um ser recatado
Mas tudo era descaso por não pertencer a mim
Larapia tornei-me depois de tantas voltas
Tantas bebidas pagas, tantas voltas e voltas
Em tua casa abriguei-me quando ninguém mais estava
Tudo intacto, preservado como no princípio
Pois era em ti o meu cuidado
E mesmo assim injustiçada por cuidar de ti
Neste céu de muitas cores
Que abriga milhões de astros
E se lá também há um ser superior de fato
Que julgue Ele por mim
Que é conhecedor das minhas ruas ermas
Do ser que fui que sou e que serei
Porque de continuo eu mudo
Aprendo com o meu falhar
Se caio, insisto em levantar
E é isso que me faz melhorar o caráter do meu ser
Pra que um dia eu possa ser
Quem você nunca foi
E nunca vai ser.


Juliana Duarte, 14 de Fevereiro de 2010