
Inimiga de mim
Meu maior medo sou eu
São meus desejos e emoções os meus monstros mais perigosos
Escondidos em defeitos que relutam em me dominar
Amantes do fim, do descontrole e da superficialidade
Conspiram contra minha força e querer
Querem dominar meus sentidos,
Querem Manipular minha percepção
Minha visão de mundo hora é distorcida
Não vejo cores neste mundo de cão
Meus limites são vários
Há sangue frio correndo em veias entupidas
Meus pulmões já não funciona mais
Meu coração ameaça parar de bater
Inspiração de onde vem?
Do sorriso de uma criança
É possível viver sem ser feliz
Não é possível ser feliz sem viver
E viver quando digo sem resquícios da ilusória perfeição
Não há como ser homem e viver sem errar
Não há como errar sem se machucar
Mas são as dores nossas a beleza da vida
E o nosso cair o segredo de todo o mar
Ele vem e ele vai
Ele desce e ele sobe
Ele agride e ele acaricia
Ele afoga e dar a vida
Ele é tudo e não é nada
Porque ele sou eu e você
Mas pra quê saber o segredo da vida
Se o segredo da vida é viver?
É cantar, chorar, amar, sofrer, pular, sorrir, gritar, odiar, desejar
É sentir todos os sentidos aguçados reagindo aos estímulos do mundo
Não importa a reação, a razão...
Tudo não passa de frágeis e incabíveis conceitos humanos
Na imensidão do ser que tudo faz e nada entende
Por isso que eu digo e repito:
Sou inimiga de mim
O meu monstro sou eu
Não aprendi a perdoar os erros tolos que cometi
Agora, só sei que cresci embora retorne a fazer
A burrice do homem está em si
Por nunca tentar se conhecer
São em nossas limitações
Onde está abrigado o sentido do amor
Porque o choro na verdade não é dor
É a prova concreta do nosso vigor
É a vida pulsando em nós
A verdade que nos faz existir
Se é pra chorar ou sorrir
Sentir é a melhor decisão
Porque a fraqueza faz do forte
Uma eterna solidão na incapacidade
De não saber perdir perdão.
Eu sou forte porque digo: sou fraca.
Eu sou sincera porque digo: menti.
Eu sou certa porque digo: errei.
Não sou forte porque escondo uma dor
Porque as lágrimas inundam meu chão
Não preciso esconder de ninguém
Que em meu peito queima uma grande paixão
Um amor por ser o que sou
Por desconhecer as minhas direções
O futuro me é sempre incerto
Como eu o sou.
Hoje eu posso querer você
Amanhã posso até te odiar
Mas nesse destino de tanto querer
Meus impasses passou a sonhar
Posso até fazer o que quer
Posso até me submeter
Mas esse meu coração indomável
É a prova de que nunca vão me entender
É vã a sua condenação
Pois em mim sempre irás encontrar
Manchas de falhas multicolor
Numa aquarela de obras expostas
Ao mundo de artes que sou.
Juliana Duarte, 23 de Fevereiro de 2010

