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quarta-feira, 29 de abril de 2009

O menino que queria ser negro

A noite fria ainda reinava sombria aquela pequena aldeia quando um choro agudo, feito agouro dos que não vivem, rompeu o rotineiro silêncio e ecoou mata adentro, perpassando cabanas, almas e espíritos dos que lá habitavam.

Ninguém, por aproximadamente uns cinco minutos, teve a coragem de abrir mão da segurança do seu lar para verificar o que ocorria. Será que os deuses haviam decidido castigá-los? Seria o final dos tempos? Afinal, que grunhidos eram aqueles que faziam saltitar o coração de todos, de modo a deixá-los de cabelo em pé?

Vendo que nada de extraordinário acontecia, Esglinof Jafaéh resolveu sair de sua cabana, mesmo sob as especulações horríveis de sua esposa e filhos do que poderia lhe acontecer, e procurar a origem daqueles sons estarrecedores.

Jafaéh penetrou mata a dentro, seguindo o som. Ba-ra-ra-tim-bum. Ba-ra-ra-tim-bum. Ba-ra-ra-tim-bum. Quanto mais entrava na floresta, mais forte ficava o som e misturado a ele, o grunhindo agudo incessante. O bater de seu coração estava cada vez mais forte, de modo que o confundia com o som ouvido.

Jafaéh percebeu uma claridade forte e estranha vinda do interior da mata. Parou de correr. Ele ofegava cansado. Já não sabia mais distinguir o batuque forte com as batidas do seu coração. Aproximou-se vagarosamente, escondendo-se entre as folhas da árvores. O agouro fino e pertubador agora lhe parecia familiar. Deu mais alguns passos e viu, agachado entre os arbustos, uma pequena cratera que ainda conservava algumas chamas e faíscas. A cratera alongava-se numa espécie de caminho, como se algo estivesse sido arrastado com dificuldade. Jafaéh olhou para os lados. Não havia ninguém, nenhum sinal de perigo, embora a própria circunstância o fosse. Em passos vacilantes ele caminhou rumo à cratera. Ba-ra-ra-tim-bum. Ba-ra-ra-tim-bum. Ba-ra-ra-tim-bum... A forte luz o fazia apertar os olhos escuros na vã tentativa de enchergar melhor. Avistou algo embrulhado. Algo pequeno, de aparente indefesa. Jafaéh, com uma vara, descobriu o embrulho revelando o que ele já suspeitava ser. Uma criança de pele mui branca chorava desesperadamente. Um bebê de aproximadamente seis meses. Jafaéh assustou-se de início, mas logo tratou de colocá-la nos braços e, ao fazê-lo, imediatamente o batuque cessou e a esfera fechou, tornando-se uma coisa só. “É coisa dos deuses”, concluiu . Por tanto, tratou de pegar a esfera, mas esta estava muito quente e lhe deixou uma queimadura quando a tocou. Com o lençol que envolvia o bebê ele cobriu a esfera e a pôs nos braços.

Jafaéh correu em direção à sua cabana. Vez por outra ele parava a fim de contemplar a criança que agora dormia um profundo sono. Nem parecia que há poucos instantes estava chorando ensurdecedoramente. Nunca vira algo parecido! “Essa criança será filha dos deuses? Caiu do céu?” – pensava intrigado.

Quando chegou à aldeia, todo o seu povo estava à espreita, fora de suas cabanas, aguardando seu chefe chegar para saciar a curiosidade de todos. Sua esposa o olhava estarrecida, parecia gritar sem que som algum saisse de sua boca. Seus filhos correram em sua direção para verificarem o que seu pai segurava. As pessoas ao redor aproximavam-se cautelosas e, como o sol que aos poucos se impôem à escuridão, Jafaéh ergueu o menino no ar de modo que todos puderam vê-lo. Palavra alguma fora mencionada e nem era preciso porque a expressão de seus rotos dizia tudo.

A brancura da pele da criança contrastava fortemente com a pele negra daquele povo. Ainda erguido no ar, o bebê abriu os olhos e estes refletiam o céu como um amanhecer. O povo assustou-se àquele olhar. Muitos soltaram um suspiro de terror, outros correram apressados às suas cabanas enquanto outros apenas levaram a mão à boca por simplesmente não terem coragem de fazer absolutamente nada. Nunca tinham visto nada igual!

“O esquisito”, “o enviado”, “o filho dos deuses”, “demônio” eram alguns dos muitos nomes dados ao garoto e estes refletiam as divergentes especulações sobre ele. Para uns, o chefe da aldeia fizara certo em acolher aquela criança e cuidar dela como se fosse um filho porque esta era fruto do divino. Outros, no entanto, acreditavam ser aquele bebê uma maldição que deveria ser eliminada imediatamente antes que trouxesse desgraça ao povo. Divergentes ou não, o fato é que todos o olhavam com desprezo e indiferença por não ser igual a eles. E de fato ele era. A comunidade de Jafaéh era negra enquanto a criança, esta era de uma brancura formidável; tinha os cabelos mui loiros e os alhos azuis.

O menino cresceu no lar de Jafaéh e foi tratado como um filho por ele. Somente por ele. Isso por acreditar que o menino era um presente dos céus, um aviso dos deuses. Jafaéh deu-lhe o direito de primogênitura, onde a benção maior e a consequente suscessão fora retirada de seu filho unigênito e dada à “criatura branca” ou “ ladrão de benção” como era chamado por Hafta, esposa de Jafaéh.

O menino teve os mimos de seu pai, Jafaéh, mas este nunca lhe contara a misteriosa forma que fora encontrado e proibira todo o seu povo de mencionar algo a respeito, sendo a morte a pena pela infração de tal ordem. Por mais acolhedor e reverente que fosse o pai da criança branca, este ainda assim sentia-se sozinho, perdido no meio de muitos. Era nítida a diferença de cor entre ele e os outros. O menino se sentia desprezado, completamente às margens daquela tribo. As pessoas o olhavam com repugnância e quando o olhavam! Pois muito desviavam dele o olhar. O garoto sentia-se portador de uma doença maléfica, contagiosa; um tipo de praga a qual ele não pediu pra ter. Não queria ser tão diferente dos outros. Queria ser igual a todo mundo.

Foi com esse anseio que o Menino pintou-se de preto dos pés à cabeça. Ridículo, um insulto - era o que as pessoas falavam ao cruzar com o “Novo Negrinho de Olhos Azuís”. Ele corria até o rio afim de ver seu reflexo na água. Um garoto triste e inconformado consigo mesmo era o que sempre contemplava. “Por que sou desse jeito?” – pensava repugnando-se. “Queria poder escolher, assim pediria pra ser como eles”, concluia. E ali, à beira-rio, derramava suas lágrimas e questionava os deuses.

Jafaéh, por muitas vezes flagrou o Menino raspando a pele com gravetos ou lascas de pedras na tentativa de “arrancar” o branco de sua pele. Seus consolos e argumentos de que ele era especial não satisfaziam ao Menino. Ele queria, pelo menos uma vez na vida, se sentir bem vindo, se sentir em casa. Mas as pessoas insistiam em fugir dele como se fugissem de um leproso ou a olhá-lo como se olhassem um monstro perigoso que os atacaria a qualquer momento. Como se sua beleza divinamente atraente nada mais era que uma estratégia para lhes imobilizar e ferir sem que pudessem se defender.

Sangue, sangue e sague era o que sua pele, em vão cortada, revelava. Logo sarariam as feridas e trariam de volta a sua cor. A cada golpe, a cada dor que lhe atravessava a’lma ele foi percebendo que jamais conseguiria macular sua essência, que jamais alteraria o seu ser. Pecebeu que não era diferente assim, porque por baixo da pele todos eram iguais, sangravam. Não era mais um monstro, um desconhecido de si mesmo. Não importasse o que pensassem ou falassem dele, Moriá – nome que lhe fora dado – encontrou uma paz inenarrável, uma felicidade plena que independia dos conceitos de outros.

Juliana Duarte, 29 de Março de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quando o Sol se Vai


Vejo o tempo passar e meu mundo cada vez mais submergido nas mesmas questões de sempre. Na verdade, não vejo sentido em nada disto. Não importa o que se faça, tudo é vão, irreal. Ilusões de uma inatingível felicidade projetada em espectros sem sombra.

Está escuro aqui. Não tenho companhia para esta noite. Meus olhos perpassam rápidos as antigas fotos. Posso ver o sorriso dos velhos amigos que se foram. Nada restou. Indiferença é o que hoje excede às pessoas. Não há lágrima que subsista a crueldade desse mundo superficial. Não há ombro que resista ao tempo e nem consolo que demonstre genuíno afeto. Ah, afeto! Ando nas ruas e ao observar as pessoas percebo o quão desprovidas estão deste tal “afeto”. Escravas do tempo pra manter a vida que nunca viverão. Bitoladas em possuir a felicidade que não se compra.

Quanto a mim, resta-me apreciar o nascer do sol. Como é lindo o nascer do sol! Expressa tudo o que sou. Vejo a escuridão daquilo que era e não será mais, despedindo-se para dar entrada a algo completamente novo. Algo a ser descoberto se anuncia. O sol traz a esperança de um novo dia, a chance de fazer o que nunca fora feito. A chance de ser o na de verdade sou.

Cromas da Vida


A melodia que me aflora a’lma


Perpassa-me as entranhas


Estranhas sensaçoes que não voltam mais


Num emaranhado que de abrupto me assome


À mente obscura, em lembranças que ficaram


Inseridas no peito de pessoas que já se foram


E que nunca mais voltaram e cá dentro de mim


Largaram essa imensa dor de está só num mundo


De muitas gentes que olham sem nada ver


E maculam a essência do que sou


E então entendo que tudo é vão e sem sentido


E que o céu é mais distante do que parece ser


Ainda mais o coração dos que ficam


Impenetráveis, submergidos num mundo sem cores.


Vejo cinzas mesclarem-se num incessante laranja avermelhado.


Fome e sede insaciável é o que tenho, mas não sei ao certo de quê


Não sei pra quê, só sei que a vida não pode ser de todo, assim


Tão monocromática.




Juliana Duarte

Lágrimas


Não chores.
Disseram-me.
Não fiques assim
Tão triste
Cabisbaixo.
Há de dar tudo certo.
Sorria.
Sorrir? Pensei.
Por quê?
Se na dor venço
Meus monstros
Obscuros,
Ocultos na imensidão
Do que sou?
Se são as lágrimas e
Não os risos
A expressão de minha
Fortaleza?
Por certo choro.
Esperneio.
Não por medo.
Grito alto dentro de mim
Num som surdo nunca
Ouvido
Num silencio provocante,
Instigador de deleites
Raros,
Falsos,
Escassos
Que confundem
Os que de fora olham
Com penosos olhos
A achar que sofro.
Mas não sofro,
E sim choro.
E não choro por que
Triste,
Cansado ou
Ferido estou
Mas por que
Num mundo de
Muitas caras
Fui genuíno
Ao revelar de
Forma simplista
A linguagem de uma
Alma bela e pura
Escondida por trás
De muitos risos.


Juliana Duarte, 20 de Novembro de 2008

Palavras



Monossílabos átonos,
Tônicos,
Não sei...
Palavras não ditas
Expressadas
Fingidas
Engasgadas
Arrancadas de uma só vez.
Meu silencio fala.
Podes me ouvir?
Ouça-o.
Ele grita alto.
Altoooo.
Podes me ouvir?
Dissílabos
Trissílabos
Hiatos, talvez.
O que falas
Não podes entender.
Por quê?
Porque não falas com a alma
E só a cara vê.
Se de profundo mergulhastes
Veria, ouviria, sentiria
O meu nascer,
O meu ser.


Juliana Duate, 30 de Novembro de 2008

Teu Olhar








Na escuridão da noite vejo o teu olhar
Que me perfura a alma e que me leva a sonhar
Com um beijo teu,
Com um toque teu,
Com sussurro teu
A me falar coisas sem sentido
Arrisco
A te despir com meu olhar
A mão que enlaça e aperta
Que desliza e aconchega
Que te traz pra bem perto, assim.
Diz-me, amor, de onde vem este brilho
Em teu olhar que tanto me encanta?
De onde vem essa beleza incontida
Que tanto me aprisiona e paralisa
E obrigada fico a te olhar
A contemplar?
Se for certo o que vejo
Num mundo novo me deleito
È em teu olhar que me perco e viajo
Em um universo desconhecido.




Juliana Duarte, 10 de Dezembro de 2008

Início do Fim








Dentro de mim
Ecoa surda a luz
Escura que ofusca
O brilho que emana
Da escuridão sombria
Fria
Solitária
Vazia
A pensar sobre a morte
A vida
Que acaba assim
Num instante
Como fumaça
Que se dissipa
Como fogo que se apaga
Como onda que marca
Que vai e que vem
Como termina o inicio
Do fim
O começo de tudo
O que sou
O sentido cruel
Insensível
De quem fez bradar
Gritos e lágrimas
A arrancar
A pesar e fazer o
Coração farfalhar
Derreter
Numa dor de perder
Alguém que já não
Existe e deixou
Cá dentro de mim
A marca fiel
Penetrada na alma
O sorriso singelo
Amarelo de quem
Soube viver
E aproveitar a
Cada instante até
O ultimo suspiro.


Juliana Duarte, 03/11/2008

Uma homenagem à Camila Borges, a "Brankelinha" que conquistou meu coração e deixou nele imensa saudade.

Um Dia Sem Inspiração



Lápis, papel, borracha,
Mente vazia, rabiscos sem fim.
Palavras que fogem,
Frases que escorregam mente a fora.
Gritos mudos de crianças vazias.
Madrugada suspeita de um crime não cometido.
Som de um coração acelerado de um estômago
Vazio a correr
Gemidos de prazer, tiros, pancadas,
Fogo, fumaça, mendigo, sangue, sirene,
Bastões, buzinas, impaciência.
Nike no pé, dinheiro no bolso, duas décadas.
De existência
Morte, diversão, alucinações.
Polícia, testemunhas, lágrimas, a vítima,
Impunidade,
Papel em branco.


Juliana Duarte, 11/06/2008

Cresce em meu coração um assombroso
Desespero.
Não há ninguém que me estenda a mão,
Não há ninguém que me entenda.
O que sinto não há palavras que possa
Expressar.
Olho para os lados,
Quem poderei contar?
Estou só, perdida num mundo
Desconhecido,
Perdida no mundo que sou.
Sem direção,
Sem saber o que fazer.
Pronta pra lutar e desistir há qualquer
Instante.
De súbito me vem esperança de um
Sol que nascerá
Mas a escuridão da madrugada é o
Que tenho de real,
Que me encobre e leva para longe a
Ancora da minha alma
Deixando-me incrédula do dia que
Em breve nascerá.

Juliana Duarte, 12/06/2008

Vazio


Roubaram!
Roubaram!
Roubaram meu coração!
Já não posso mais encontrá-lo.
Onde estás?
Onde te escondes?
Por que fugistes sorrateiramente de
Dentro de mim
E te abrigaste em mãos alheias
Como se não fosse mais meu
E sim de outrem?
Ah, estulto coração, por que não aprendes?
Já não sabes tu que cedo ou tarde
Voltarás a mim quebrantado
E ferido?
Por que te aventuras numa empreitada
Tão perigosa e sagaz que é amar?
Que é ser de um só alguém?

Juliana Duarte, 22/09/2008

Nos Bastidores

Povos Vazios
Gentes frias
Sem sentido de vida
A sonhar sonhos vagos
Rasos:
Casa grande
Sucesso sem fim
Fama
Carro importado
Ouro no corpo
Mordaça no pescoço
A prender
Fazendo doer
A alma gemer
Sangrar
A torturar
As mentes
A explorar
Corpos
Arrancando
A vida
O sentido
Esquadrinhando a alegria
Fria
Escura
Forjada pelo
Monstro sistema
Que engana
Ilude e fascina
Fere
Escraviza
Emudece
A voz forte de um povo
Sofrido
Vivido
Amargurado
Poderoso para mudar,
Sem saber,
O destino
A rota de quem domina
E deleita
E ajeita o jeito certo
De forma errada
Para anular
O verdadeiro
Sentindo de viver
Em sociedade


Juliana Duarte, 22/10/2008

A Visão de Quem Passa




Incrível o modo como me sentia quando passava por aquelas ruas e avenidas esburacadas. Totalmente desconfortável, a sacolejar de um lado para o outro. O mau cheiro vindo da lama acumulada nas esquinas muito me enojava. Tinha que atravessar, em vão, com muita cautela pra não me sujar.

Meninos vestidos com calções sujos e rasgados a correrem atrás de uma bola murcha, tão suja quanto eles. Arriscavam-se entre os carros. A diversão era notória em seus sorrisos amarelados como a fome que fazia suas barrigas roncarem insistentemente. Tinha que buscar muita paciência dentro de mim, porque a vontade era de passar por cima de todos e sair dali o mais rápido possível!

Logo, logo entraria no gozo de contemplar grandes e lindas casas que nem de longe se comparavam àqueles casebres desprezíveis e ridículos. As ruas muito limpas, bem arejadas.
Sempre parava com muito gosto quando um carro importado resolvia sair de uma mansão como o sol que nasce com toda sua glória ao Leste. Ficava lá, parado, apreciando a coisa bela, esforçando-me por enxergar quem estaria por detrás daqueles tão escuros vidros. Inclinava-me um pouco para frente para ver se conseguia visualizar alguém dentro da casa. Tentativa esta sempre frustrada.

Raramente via alguém nessas planas ruas e quando via, nunca correspondia ao meu alegre businar. Não ficava chateado no início, mas depois comecei a observar que os moradores estavam sempre de cara amarrada, às pressas, olhando para seus relógios de ouro 22 quilates. Raramente sorriam e quando o faziam era um sorriso superficial, como se estivessem fazendo a coisa mais difícil do mundo.

Foi inevitável a comparação. Como pode pessoas em situações tão precárias exibirem seus sorrisos e outras tão ricas serem tão carrancudas e infelizes? Refleti durante dias sobre isto enquanto fazia minha rota diária que me permitia ver os dois lados da moeda.

Agora aqueles meninos raquíticos, que corriam à minha frente jogando bola e outros a darem tchauzinhos aos meus cansados passageiros, já não me incomodavam mais. Pelo contrário, sentia-me à vontade, feliz. Agora eu tinha um olhar diferente, uma nova visão que me fazia entender que o pesar que outrora não sentia ao correr pelas “ruas-de-ouro” era a prova de que a vida com muitas riquezas poderia ser nada mais do que uma linda prisão e que o que realmente valia a pena era as coisas simples, ou seja, a própria vida.

Juliana Duarte, Conto.

O Que Sou



O motivo por que sou eu não sei
E por não saber é me esforço
Por entender os mistérios do meu ser.
Porque ora quero e ora nada quero fazer;
Ora decido, me posiciono;
Ora oscilo e me escondo.
Ora vou.
Ora não vou.
E por não ir é que sinto doer cá dentro
Do peito a estática dinâmica da minha vida.
Que vai e não vai,
Que desce e que sobe,
E às vezes mais desce.
E por tanto descer é que entendo que nada sou
E o que sou não é o que quero ser.
E por não querer ser o que sou
É que repudio certos valores
Que só desvalorizam e confundem
Tanto confudem que ferem
E por tanto ferir é que sufoco
O desconhecido prazer de ser quem
Na verdade sou.

Juliana Duarte, feita em 08 de Agosto de 2008

Seja Minha



Seja minha de corpo e alma,

Seja minha.

Seja minha no teu chorar e sorrir,

No teu cantar e dançar,

No teu sonhar e realizar,

Seja minha.

Seja minha com todas as forças do teu ser,

Na tua fraqueza e dor,

No teu desistir e insistir,

Nos teus tormentos de amor.

Seja minha mesmo quando não for,

Quando distante estiver e não

Quiser mais o meu amor,

Seja minha.

Seja minha porque ninguém te deseja tanto quanto eu.


Juliana Duarte, feita em 15 de Setembro de 2008

Coração Corrupto


Pra que serve o coração

Senão pra nos fazer sofrer


E enganar?


Ah, coração, pra quê te quero?


Se pudesse arrancar-te-ia do peito


E lançar-te-ia pra bem longe de mim


Porque só assim estaria livre dos teus


Enganos e de tuas corrupções


E só assim viveria em paz


Na ausência de qualquer sentimento


Seja dor ou alegria


Seja guerra ou seja paz


Tanto faz...


Portanto que eu estivesse protegida


Do mais perigoso entre eles


Que é o amor.


Juliana Duarte, feita em 11 de Junho de 2008

Amanda


És tu a mais bela entre as mulheres
A mais fogosa
Com quem desejo ardentemente estar.
Vem pra mim, baby
Deixa eu te fazer feliz.
Vem!
Deixa eu te mostrar o que é amar.
Vem!
Deixa eu te mostrar como é lindo
O pôr-do-sol.
Vem e aconchega-te entre meus braços
Porque quero sentir o teu respirar
Quero sentir dentro de ti a vida
Quero sentir teu coração bater
Quero viver ao teu lado
As mais doces e intensas experiências
E contemplar contigo as coisas simples
Pra que o nosso amar seja uma eterna
Poesia.

Ana Valeska Maia


Com seu doce olhar me conquistou
Olhar que vê além das cores,
Que não enxerga difereças entre este ou aquele
Olhar que respeita e nunca impõe
Olhar que busca corações humildes
E que sonha relacionar-se rica e afetuosamente
Com todos.
Olhar que descobre caminhos e
Desvenda mistérios,
Que não tem medo de sonhar ou errar,
Que não se deixa levar pela dor,
Sempre à espera do amanhecer
Que traz com ele a esperança de
Um amanhã mais vivo e feliz.
Olhar que penetra a alma daqueles
Que constrangidos ficam com seu
Jeito meigo e amoroso de a todos tratar.
Descobrindo novos mundos a cada
Palavra atenciosamente ouvida,
Destilando sabedoria, charme e elegância
Em tudo que faz
Como quem não perdeu a fé no mundo
E nas pessoas
Como quem ainda acredita que vale a pena
Viver para transformar vidas e destinos
Através de pequenos gestos feitos e
Simples palavras ditas.


Em homenagem a um verdadeiro anjinho sob pele humana: à Ana Valeska Maia. É com imensa gratidão, apreciação e sinceridade que lhe dedico esta poesia tão singela e imatura quanto quem a fez.
Obrigada por me ouvir e aconselhar. É de coração que lhe desejo felicidades e êxito em tudo que intentar empreender em sua vida.


Juliana Duarte

Um Mundo Desconhecido


Difícil explicar o inexplicável

Impossível expressar o inenarrável

Como traduzir o que oculto está?

Como revelar as profundezas do que sou,

Do que penso e como penso?

Palavras me faltam...

Papel vazio... Vazio...

Vazio...

Meras palavras não alcançam

Esta surpreendente inspiração.

Inspiração que vem de cores,

De danças,

De músicas,

De versos lidos,

De artes vistas e apreciadas.

Tudo isso como que de um só ímpeto

Transborda-me a alma

Fazendo-me refletir.

Penso...

Vagueio pelo desconhecido

E vagueando

Descubro e traduzo

Um novo e surpreendente mundo.

Juliana Duarte

A Verdadeira Paixão


Ah, coisa boa é estar apaixonada!
Apaixonada pelo sol que nasce
Trazendo-me a chance de fazer tudo diferente.
Apaixonada pela brisa suave
Que beija meu rosto
Dando-me sensação de liberdade.
Apaixonada pelo canto dos pássaros
Cuja melodia ecoa dentro do meu ser
Deixando-me feliz.
Ah, coisa boa é respirar fundo
E sentir pulsar cá dentro de mim
A vida!
Os sonhos!
Ah, como é bom saber que viva estou!
Que tenho a chance de modelar o mundo que sou
Como criança que brinca.
Ah, como é bom sentir meu coração
Bater mais forte quando te vejo
Quando sonho com você ao meu lado
Quando projeto você em meus sonhos
Quando cruzo minha história à sua
E desejo te fazer feliz
Sim, amor meu, feliz!
Feliz como ninguém!
Ah, coisa boa é estar apaixonada!
E o motivo de assim estar
É você...
E ninguém mais será.

Juliana Duarte