
Como posso esquecer o que em mim está enraizado
Entranhado em medulas, músculos, fibras, ossos, carne e pele?
Nesse lento processo do tempo
Que aos poucos te remove de mim
Vai doendo
Doendo
É como se arrancassem um pedaço de mim
Nesse meu desespero de te querer e te amar
É que, sem ter-te, me agarro à dor de tua ausência
Porque o vazio que deixaste é também um pedaço teu
Que em mim ficou imerso num vazio de noites sombrias
Nas insônias de pesadelos suspensos na madrugada
Que agora cuidam em te levar para o passado
Meu passado que tudo passou e o que era não é mais
Deixe-me
Largue-me
Esqueça a minha errônea existência que só desejou te amar eternamente
Amar-te-ia para sempre
Muito além de qualquer barreira
Porque é de mim o te querer
Como agora é de mim o te esquecer
Nesta minha inesgotável capacidade de amar.
Juliana Duarte, 19 de Fevereiro de 2010

Nenhum comentário:
Postar um comentário